Menisco rompido: quando a cirurgia é indicada?
Postado em: 17/08/2026

A dor no joelho, a sensação de travamento durante alguns movimentos ou o inchaço persistente podem gerar preocupação e dúvidas sobre a origem dos sintomas. Para muitas pessoas, o diagnóstico de uma lesão de menisco traz uma pergunta importante: será que a cirurgia de menisco é necessária?
Nem todo menisco rompido precisa de tratamento cirúrgico. A indicação depende de uma avaliação individualizada, que considera o tipo e a localização da lesão, a intensidade dos sintomas, o impacto nas atividades diárias, a idade, o nível de atividade física e a resposta às medidas não cirúrgicas.
Neste artigo, você vai entender quando a cirurgia de menisco pode ser indicada, quais fatores influenciam essa decisão, como funciona a artroscopia de joelho e o que esperar da recuperação após o procedimento.
O que é a lesão de menisco?
O menisco é uma estrutura de fibrocartilagem localizada entre o fêmur e a tíbia. Cada joelho possui dois meniscos: o medial (interno) e o lateral (externo).
Essas estruturas ajudam a absorver impactos, distribuir a carga sobre a articulação e contribuir para a estabilidade do joelho durante os movimentos.
A lesão de menisco pode ocorrer após traumas, como torções durante atividades esportivas, ou surgir de forma degenerativa com o envelhecimento. Nem todo menisco rompido provoca sintomas, mas algumas alterações podem causar dor e limitação funcional.
Principais sintomas
Os sinais mais comuns incluem:
- Dor no joelho, principalmente nas laterais da articulação, próximas aos meniscos;
- Sensação de travamento do joelho ou dificuldade para realizar completamente alguns movimentos;
- Inchaço persistente ou recorrente;
- Estalos e desconforto durante atividades como caminhar, agachar ou subir escadas.
Quando os sintomas persistem ou interferem na rotina, é importante buscar avaliação com um ortopedista especialista em joelho.
Quando a cirurgia de menisco é recomendada?
A cirurgia de menisco não é necessária para todos os casos. A decisão é individualizada e considera a avaliação clínica, os exames de imagem e as características da lesão.
Falha do tratamento conservador
Em muitos pacientes, a primeira abordagem é o tratamento conservador, que pode incluir fisioterapia, fortalecimento muscular, controle da dor e adaptação temporária das atividades.
Quando essas medidas são realizadas adequadamente, mas os sintomas continuam limitando a função do joelho, a cirurgia pode ser considerada.
Travamento mecânico do joelho
O travamento mecânico ocorre quando um fragmento do menisco rompido interfere no movimento da articulação, impedindo a extensão ou flexão completa do joelho.
Essa situação pode ter indicação cirúrgica, pois o fragmento deslocado pode comprometer a movimentação normal da articulação.
Lesões com potencial de reparo
Algumas lesões apresentam maior possibilidade de cicatrização, principalmente aquelas localizadas na chamada zona vermelha do menisco, região com melhor irrigação sanguínea.
Nesses casos, especialmente em pacientes jovens ou fisicamente ativos, pode ser indicada a sutura de menisco, com o objetivo de preservar a estrutura e sua função.
Tratamento conservador ou cirurgia: como escolher?
A escolha do tratamento depende de fatores como idade, nível de atividade física, tipo de lesão, sintomas apresentados e presença de desgaste articular.
O tratamento conservador costuma ser indicado principalmente para lesões degenerativas ou para casos sem sintomas mecânicos importantes.
Quando há indicação cirúrgica, as principais técnicas são:
- Meniscectomia parcial: retirada apenas do fragmento lesionado e instável, preservando o máximo possível do menisco saudável;
- Sutura de menisco: reparo da lesão por meio de pontos, quando existe possibilidade de cicatrização.
Em pacientes com artrose no joelho, a cirurgia isolada do menisco pode não apresentar o benefício esperado, pois a dor pode estar relacionada ao desgaste da articulação.
Como é feita a cirurgia de menisco?
A cirurgia de menisco geralmente é realizada por meio da artroscopia de joelho, uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões para introduzir uma câmera e instrumentos específicos dentro da articulação.
O procedimento permite visualizar o menisco e tratar a lesão, seja pela retirada do fragmento comprometido ou pela realização da sutura.
A escolha da técnica depende do tipo de rompimento, da qualidade do tecido e dos objetivos do tratamento.
Na maioria dos casos, a artroscopia é realizada em regime de hospital-dia, com alta no mesmo dia após o período de observação.
Quais são os riscos da cirurgia de menisco?
Como qualquer procedimento cirúrgico, a artroscopia de joelho apresenta alguns riscos, embora sejam pouco frequentes.
Entre as possíveis complicações estão:
- Infecção;
- Sangramento;
- Eventos tromboembólicos, como a formação de coágulos nas veias (trombose venosa);
- Complicações relacionadas à anestesia;
- Rigidez temporária da articulação.
A escolha de um especialista em joelho experiente, o acompanhamento durante a recuperação e o cumprimento das orientações no pós-operatório contribuem para reduzir riscos e favorecer uma evolução segura.
Como é a recuperação após a cirurgia de menisco?
A recuperação depende principalmente da técnica realizada. Nos primeiros dias, o objetivo é controlar a dor e o inchaço. Medidas como aplicação de gelo, elevação do membro e uso das medicações prescritas podem fazer parte dos cuidados iniciais.
Após uma meniscectomia parcial, muitos pacientes conseguem retomar atividades leves em poucas semanas. Já após a sutura de menisco, a recuperação costuma ser mais longa, pois é necessário proteger o reparo durante a cicatrização.
A fisioterapia após cirurgia de menisco é fundamental para recuperar a mobilidade, fortalecer a musculatura e favorecer a retomada gradual das atividades.
O retorno ao esporte e aos exercícios de maior impacto deve ocorrer de forma progressiva, conforme a evolução individual e a orientação médica.
FAQ — Perguntas frequentes sobre cirurgia de menisco
Preciso usar muletas após a cirurgia?
Depende do procedimento realizado. Após uma meniscectomia parcial, o apoio costuma ser liberado mais rapidamente. Nos casos de sutura de menisco, pode ser necessário utilizar muletas por algumas semanas para proteger a cicatrização.
O menisco pode romper novamente?
Sim. Uma nova lesão pode ocorrer, especialmente em atividades com impacto ou movimentos de rotação. O fortalecimento muscular e o retorno gradual aos exercícios ajudam a proteger o joelho após a recuperação.
Quem tem artrose pode operar o menisco?
Depende da avaliação do caso. Em pessoas com artrose avançada, a cirurgia isolada do menisco pode não trazer o resultado esperado, pois o desgaste articular pode ser a principal origem dos sintomas.
É possível viver com um menisco rompido sem fazer cirurgia?
Sim. Nem toda lesão de menisco precisa de cirurgia. Em muitos casos, principalmente quando não há travamento mecânico ou limitação importante das atividades, o tratamento não cirúrgico pode controlar os sintomas e melhorar a função do joelho. A conduta é definida pelo especialista em joelho, considerando as características da lesão, os sintomas e as necessidades de cada paciente.
Avaliação especializada antes da cirurgia de menisco
A indicação da cirurgia de menisco deve ser baseada em uma avaliação individualizada, considerando o tipo de lesão, os sintomas, a limitação funcional e a resposta ao tratamento conservador.
Na Clínica Forti, cada caso é avaliado de forma criteriosa para definir a abordagem mais adequada, com foco na segurança, recuperação funcional e qualidade de vida.
Se você apresenta dor no joelho, episódios de travamento ou inchaço persistente, procure um especialista em joelho para uma avaliação completa.
Responsável técnico
Dr. Leandro Nani Pires
CRM: 122159/SP RQE: 33874 – Ortopedia e Traumatologia